Mágoas escondem sua luz
- Gabriel Rogêdo
- 19 de mai.
- 3 min de leitura
Pare por um instante e reflita: quando você pensa na sua infância e na sua vida como um todo, o que vem primeiro à memória? Os momentos felizes ou os tristes? As risadas ou as lágrimas?
Se sua resposta foi “os momentos felizes”, meus parabéns. Você faz parte de uma pequena minoria.
As mágoas são como uma neblina. Elas nos tornam mais rígidos, menos criativos, menos espontâneos. Aos poucos, escondem nossa autenticidade. Funcionam como uma censura interna que nos torna indisponíveis para o amor, para a alegria e para a própria vida.
Porque eu vou me arriscar a falar naquela reunião importante se nunca me sinto escutado?
Por que usar uma roupa que expressa minha personalidade se nunca me sinto realmente visto?
Por que me abrir para alguém especial se, no fundo, acredito que nunca serei amado?
As mágoas escondem o que existe de mais bonito em nós.
Elas começam como proteção. Um muro construído para evitar novas dores. Mas, com o tempo, esse muro vira prisão. Uma prisão silenciosa, que rouba nossa vivacidade, nossa essência. E então esquecemos quem somos.
Aquela criança que ria sem motivo. Que sonhava sem medo. Que criava mundos inteiros brincando. Tudo isso continua dentro de nós, apenas encoberto por essa neblina de mágoas e medos.

Como elas operam?
Quando buscamos a origem dessas mágoas, é impossível não olhar para a infância.
Toda vez que nos sentimos deixados de lado, ignorados, não vistos ou não amados o suficiente, algo dentro de nós cria defesas. São crenças inconscientes que surgem para nos proteger da dor, mas que, mais tarde, acabam nos limitando.
A neurociência mostra que nosso cérebro registra com mais facilidade experiências ligadas à dor, ameaça e sofrimento. É uma forma de sobrevivência. Nossa mente tenta garantir que não passemos pela mesma dor novamente.
E assim começamos, sem perceber, a olhar a vida através dessas feridas. É como se nossa essência fosse colocada em um baú e enterrada no inconsciente. As partes mais leves, criativas e vivas de nós ficam inacessíveis, enquanto nossas defesas passam a guiar nossa forma de enxergar o mundo.
Com o tempo, isso se torna parte daquilo que acreditamos ser. As crenças moldam nossos comportamentos. Os comportamentos criam hábitos. Os hábitos constroem experiências. E as experiências reforçam novamente as crenças. Um ciclo.
Quando guardamos mágoas, mantemos viva uma história de vítima e agressor que nos prende ao passado e nos impede de viver o presente com autenticidade.
Como podemos lidar?
Então como recuperar nossa vivacidade?
Como resgatar nossa autenticidade?
Como reencontrar aquela parte de nós que sabia viver com leveza?
O caminho começa pelo perdão.
Mas não um perdão baseado em superioridade moral, como se o outro fosse apenas alguém ruim e nós uma vítima inocente concedendo absolvição.
Perdoar não é esquecer o que aconteceu. Perdoar é compreender.
É entender que muitas pessoas ferem a partir das próprias dores, limitações e inconsciências. É perceber que aquilo que fizeram fala mais sobre elas do que sobre você.
O perdão não muda o passado. Mas dissolve a prisão que nos mantinha presos a ele. E, aos poucos, a neblina começa a se dissipar.
Sua luz continua lá. Sempre esteve.
Se fizer sentido aprofundar
Se você percebe que muitas mágoas estão presentes na sua vida e quer olhar para isso com mais profundidade e verdade, esse é exatamente o tipo de trabalho que desenvolvemos na Halo.
Um espaço para compreender esses padrões, ressignificar relações e construir uma forma mais leve e coerente de se relacionar, com o outro e com você mesmo.
Se se sentir chamado, estamos por aqui.
Halo, cura em amor. 🐇
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